A confiança do consumidor brasileiro começou 2026 em trajetória de recuperação. O Índice de Confiança do Consumidor medido pela Varejo360 atingiu 55,9% em janeiro, o melhor resultado desde abril de 2025 e o terceiro avanço consecutivo da série histórica. O movimento reflete uma percepção mais favorável sobre emprego, finanças pessoais e o ambiente econômico, ainda que o consumo siga marcado por prudência.
Realizado mensalmente com mais de 2.500 entrevistados em todas as regiões do país, o levantamento indica que a melhora foi puxada principalmente pelas finanças domésticas, que alcançaram 64,9%, além do aumento gradual do conforto para gastos não essenciais, que chegou a 50,6%. Mesmo com esses avanços, o cenário ainda é de cautela: mais da metade dos consumidores afirma não se sentir confortável para consumir além do essencial.
Finanças domésticas mostram recuperação gradual
O estudo revela um consumidor em processo de reorganização financeira. Cresceu o número de brasileiros que avaliam sua situação financeira como boa ou muito boa, tendência que pode se intensificar nos próximos meses com a desoneração do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. Esse fator contribui para uma percepção mais positiva do orçamento familiar, embora ainda não se traduza em consumo acelerado.
“Os dados mostram um consumidor mais confiante, mas ainda muito racional. Existe uma sensação de reorganização das finanças e de expectativa positiva para 2026, porém sem espaço para excessos. O brasileiro segue priorizando controle e planejamento, mesmo com sinais claros de melhora no cenário”, afirma Fernando Faro, CEO da Varejo360.
Mercado de trabalho ainda impõe cautela
No mercado de trabalho, 45,3% dos entrevistados ainda consideram difícil conseguir emprego. Apesar disso, o indicador apresentou queda em relação ao mês anterior, sinalizando uma melhora gradual na percepção sobre oportunidades. A leitura sugere que, embora o emprego ainda seja um fator de insegurança, há expectativa de evolução ao longo do ano.
Esse contexto ajuda a explicar o comportamento mais seletivo do consumidor, que demonstra maior confiança no médio prazo, mas mantém decisões conservadoras no curto prazo, especialmente diante de um cenário econômico ainda em ajuste.
Consumo segue seletivo e planejado
A cautela aparece de forma clara nos hábitos de compra. Segundo a pesquisa, 56,4% dos consumidores afirmam evitar gastos com itens não essenciais, enquanto 20,8% estão adiando compras de maior valor, como viagens e eletrônicos. A busca por controle financeiro segue sendo prioridade, mesmo com a melhora dos indicadores de confiança.
Por outro lado, o otimismo cresce quando o horizonte é ampliado. O levantamento mostra que 63,8% dos entrevistados acreditam que as finanças da casa estarão melhores nos próximos 12 meses — o maior percentual já registrado pela Varejo360. O dado indica que 2026 começa a ser percebido como um ano de reconstrução e maior estabilidade financeira.
Oportunidades graduais para o varejo
Os resultados reforçam que a retomada da confiança não deve resultar em um crescimento imediato e acelerado do consumo. Em 2026, a tendência é de decisões mais planejadas, com maior atenção a preços, promoções e marcas percebidas como mais acessíveis. Para o varejo, o cenário aponta para um primeiro semestre de oportunidades graduais, em que compreender o comportamento do shopper será fundamental.
Transformar o otimismo crescente em vendas efetivas exigirá estratégias alinhadas à realidade financeira das famílias, comunicação clara de valor e ofertas que dialoguem com um consumidor mais consciente, seletivo e orientado pelo planejamento.



