A retração nas remessas globais de smartphones deve impor novos desafios ao varejo especializado em 2026. Segundo projeções da Counterpoint Research, o volume global de envios deve recuar 2,1% no próximo ano, impactado principalmente pelo aumento nos custos de memória e semicondutores. O cenário reforça a pressão sobre modelos de negócio baseados exclusivamente em volume de vendas e amplia a necessidade de eficiência operacional no varejo.
Para redes especializadas como a Mercado Phone, a desaceleração nas remessas evidencia uma mudança estrutural no setor. Com consumidores mantendo seus dispositivos por períodos mais longos, o crescimento passa a depender cada vez mais de estratégias ligadas à gestão, pós-venda, relacionamento com clientes e adoção de tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial (IA), como forma de preservar competitividade em um mercado mais restritivo.
Mesmo com a queda no volume, o valor do mercado de smartphones segue em alta. Dados da Popal indicam que o preço médio de venda dos aparelhos deve alcançar US$ 465 em 2026, acima dos US$ 457 registrados em 2025. Com isso, o setor deve atingir um valor recorde estimado em US$ 578,9 bilhões. A elevação de preços ocorre em paralelo ao avanço dos investimentos em infraestrutura tecnológica: empresas como Meta, Microsoft e Google ampliam aportes em data centers para sustentar a demanda por aplicações de IA, com projeção global de quase US$ 7 trilhões até 2030, segundo relatório da McKinsey & Company.
Para Maycon Richart da Costa, fundador e CEO da Mercado Phone, a combinação entre retração de mercado e avanço tecnológico impõe uma revisão profunda das operações do varejo especializado. “O consumidor mantém seus dispositivos por mais tempo, reduzindo a dependência de novas vendas. Lojas que utilizam gestão eficiente, automação e IA conseguem antecipar demandas e manter crescimento mesmo em um cenário desafiador”, analisa.
“Investir em tecnologias de gestão e automação é essencial para enfrentar esse momento”, complementa Maycon Richart. “Sistemas que monitoram estoque, analisam o comportamento dos clientes e otimizam processos internos permitem que as lojas operem com maior eficiência. Além disso, programas de fidelização e estratégias focadas em pós-venda ajudam a reduzir a dependência de novas vendas e fortalecem o relacionamento com o cliente, aumentando o valor do ciclo de vida de cada consumidor.”
Segundo o executivo, essas iniciativas permitem transformar um ambiente de pressão em oportunidades concretas de negócio. Mesmo diante da retração nas remessas globais, lojas especializadas podem combinar gestão eficiente, automação, análise de dados e estratégias de fidelização para otimizar operações, reduzir desperdícios e criar novas fontes de receita, mantendo a relevância em um mercado cada vez mais competitivo.
Frente a esse contexto, a sustentabilidade do varejo especializado passa pela capacidade de integrar tecnologia, automação e foco no relacionamento com o cliente. “Quem consegue unir gestão eficiente, inteligência artificial e foco no relacionamento transforma a retração do mercado em oportunidades de crescimento, fortalecendo a conexão com os consumidores e garantindo resultados consistentes a longo prazo”, finaliza o especialista.



