A Lojas Mel deu um passo estratégico ao inaugurar, em novembro, sua nova unidade na Avenida Paulista. Com 700 m² e investimento de R$ 2 milhões, a loja, em uma das regiões mais prestigiadas e concorridas do varejo, simboliza a fase de expansão da rede. Em 2025, cinco inaugurações ampliaram a presença da varejista, que encerrou o ano com 59 lojas distribuídas por todas as regiões de São Paulo – capital, região metropolitana, interior e litoral –, além de Poços de Caldas, em Minas Gerais.
À frente desse movimento está Pedro Cruz, que assumiu como CEO em fevereiro de 2024, quando seu pai, Manuel, fundador da empresa, deixou o comando executivo para presidir o Conselho de Administração. A sucessão, alinhada à reestruturação da companhia, abriu espaço para uma gestão mais profissionalizada. Desde então, a rede reforçou sua estrutura com executivos de mercado, modernizou processos e fortaleceu áreas-chave, como Operações e Comercial.
Na entrevista, Pedro detalha a operação da Lojas Mel, que reúne um portfólio de 12 mil itens, entre utilidades domésticas, decoração e eletroportáteis, e mantém mais de 1.500 colaboradores, com sede e centro logístico em São Bernardo do Campo (SP). Ele também antecipa os próximos passos: “Nossas metas para 2026 incluem expansão física, fortalecimento da operação digital e investimentos contínuos em tecnologia. Queremos ampliar os pontos de venda com crescimento sustentável”, afirma.
Desde que você assumiu, a empresa passou por uma reestruturação. Quais resultados já podem ser observados?
Pedro Cruz – O objetivo da reestruturação foi preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento. Reforçamos a gestão, contratamos executivos experientes em varejo e fortalecemos áreas essenciais. Isso nos permitiu ampliar a expansão, modernizar lojas e acelerar ganhos de produtividade. Um dos resultados mais visíveis é a capacidade de entregar uma jornada de compra mais fluida, integrada e conveniente para o cliente.
O que representa a abertura na Avenida Paulista?
PC – A inauguração na Paulista é um marco na nossa história. Estar em um dos endereços mais icônicos do Brasil reforça nossa relevância no varejo e consolida a estratégia de expansão em regiões de alta visibilidade e grande fluxo. A loja tem potencial para se tornar uma das unidades de maior performance da rede porque reúne localização estratégica, conveniência e um portfólio amplo. A expectativa é que ela contribua de forma significativa para o faturamento da capital, ampliando nossa presença em um território prioritário.
A Lojas Mel privilegia locais de grande circulação e proximidade do metrô. Essa estratégia continua central?
PC – Essa lógica faz parte do DNA da companhia, pois sempre entendemos que conveniência é essencial para o nosso público. Estar próximo de metrôs, grandes corredores comerciais e polos de circulação amplia a acessibilidade, facilita a vida do consumidor e fortalece a performance de cada loja.
Pode explicar a estratégia de adensamento?
PC – O adensamento consiste em reforçar a presença em regiões onde já temos forte penetração, complementando a oferta com formatos adequados a diferentes perfis de consumo. Buscamos ampliar a capilaridade sem perder eficiência, equilibrando lojas de rua, shopping centers e endereços premium. O foco está na capital paulista e em cidades estratégicas da região metropolitana.
Essa estratégia vale também para shoppings, como o Boulevard Tatuapé?
PC – A presença em shoppings é complementar ao nosso modelo tradicional. A experiência tem sido muito positiva, com fluxo constante e um perfil de consumidor que combina famílias, jovens e compradores ocasionais. A expansão em shoppings faz parte do nosso plano de diversificar formatos e ampliar acesso.
Como percebe as mudanças de comportamento do consumidor das classes B e C?
PC – O consumidor está mais atento e busca variedade, preço justo e agilidade. Ele quer resolver tudo em um só lugar. Valoriza conveniência, canais digitais, atendimento atencioso e soluções rápidas. Essa mudança reforça a importância de integrar loja física e digital, além de manter um portfólio amplo com categorias que atendam a necessidades do cotidiano.
O segmento de utilidades domésticas segue forte? Quais categorias se destacam?
PC – Utilidades domésticas são o coração do nosso negócio e continuam evoluindo. O consumidor busca funcionalidade, boa relação custo-benefício e novidades que facilitem a rotina. Categorias como organização, cozinha e linhas sazonais, como itens de Natal, seguem como destaques em volume de compra, impulsionando fluxo constante nas lojas.
E os eletroportáteis, qual a relevância?
PC – Os eletroportáteis têm ganhado espaço porque atendem a uma demanda crescente por praticidade. Itens como fritadeiras, mixers, ventiladores e cafeteiras registram boa performance por serem soluções rápidas e acessíveis. O segmento acompanha tendências de consumo e complementa de forma estratégica o nosso mix.
Como a Lojas Mel constrói parcerias com a indústria?
PC – Nossas parcerias são baseadas em diálogo, transparência e foco no cliente. Trabalhamos para garantir portfólio competitivo, abastecimento eficiente e inovação constante. Nos últimos anos, fortalecemos essa relação com processos mais estruturados, planejamento de compras alinhado por região e negociação de oportunidades que ampliem variedade e qualidade.
A empresa tem crediário ou financiamento próprios?
PC – Além dos meios de pagamento tradicionais, oferecemos o cartão Lojas Mel, que pode ser solicitado diretamente nas lojas e foi desenvolvido para garantir praticidade e vantagens na hora de comprar. Ele dá acesso a descontos exclusivos, facilita o parcelamento e torna a experiência mais acessível para o nosso público. Seguimos avaliando soluções financeiras que complementam a jornada de compra sem perder agilidade e simplicidade.
Como tem sido o investimento em tecnologia?
PC – Tecnologia é um pilar central da nova fase da empresa. Investimos em sistemas de gestão mais modernos, melhoria de abastecimento, processos de compra mais inteligentes e integração entre canais. Isso trouxe ganhos de produtividade, redução de rupturas e maior eficiência operacional.
Quais são hoje os maiores desafios dos varejistas brasileiros?
PC – Lidar com um consumidor mais exigente, administrar custos, manter competitividade e acelerar a digitalização sem perder eficiência. O varejo vive um momento dinâmico que exige planejamento, velocidade e capacidade de adaptação.
Como imagina a empresa em 2030?
PC – Nosso objetivo é consolidar a Lojas Mel como uma das principais redes de varejo do P aís, mantendo a essência acolhedora que sempre nos caracterizou. Em 2030, visualizo uma empresa mais robusta, moderna, digitalmente integrada e presente em regiões estratégicas, com uma estrutura sólida e preparada para crescer com propósito.



