Seu vendedor ainda precisa abrir CRM? Salesforce quer acabar com isso

AIForce

São Francisco / EUA – A Salesforce anunciou durante o Dreamforce, em San Francisco, o AIforce, uma nova camada de interface que leva dados, processos, regras de negócio e permissões armazenados no CRM para diferentes ambientes de inteligência artificial. A proposta é permitir que funcionários e agentes de IA consultem informações, atualizem registros e acionem fluxos de trabalho sem precisar necessariamente abrir o Salesforce.

Segundo a empresa, o AIforce conecta a inteligência já existente na plataforma a interfaces como Claude, Slack e Lightning. Na prática, isso significa que uma equipe pode fazer uma solicitação em linguagem natural e receber uma interface ou resposta baseada nos dados disponíveis no CRM, respeitando as permissões e regras de negócio existentes.

Para o varejo B2B, a mudança pode ter impacto principalmente em operações comerciais que dependem de grandes volumes de dados de clientes, pedidos, histórico de relacionamento e atendimento.

Um vendedor, por exemplo, poderia perguntar em uma interface de IA quais clientes reduziram as compras nas últimas semanas, cruzar essa informação com chamados de atendimento e histórico comercial e, a partir daí, criar tarefas de follow-up. Em vez de consultar diferentes telas e relatórios, o profissional trabalharia a partir de uma única solicitação.

Outra possibilidade está na gestão de contas. Um gerente comercial poderia pedir uma visão dos principais clientes de uma determinada região, identificar quais estão próximos de renovar contratos ou quais apresentam queda de volume e transformar essas informações em ações comerciais. A resposta seria baseada nos dados e nas regras já existentes no CRM.

A Salesforce também apresenta o AIforce como uma forma de criar interfaces personalizadas sob demanda. Em vez de trabalhar sempre com uma mesma estrutura de telas e campos, o usuário pode descrever o que precisa e construir uma interface específica para aquela tarefa.

No lançamento, a companhia apresentou três frentes. A Claudeforce leva os recursos do Salesforce para o Claude, da Anthropic, com 37 habilidades pré-configuradas para vendas. A Slackforce integra o contexto do CRM às conversas e fluxos de trabalho do Slack. Já o Agentforce Coworker funciona dentro da própria interface do Salesforce como um “colega” de IA capaz de consultar informações, identificar oportunidades e executar ações dentro das permissões existentes.

Para uma operação de varejo B2B, isso também pode significar automatizar tarefas que hoje dependem de diferentes áreas. Um gestor poderia, por exemplo, identificar clientes com queda de compras, consultar o histórico de atendimento, pedir uma análise das possíveis causas e criar automaticamente tarefas para os vendedores responsáveis. Em outra situação, uma equipe poderia consultar quais produtos apresentam maior potencial de venda cruzada para determinados clientes a partir do histórico de compras.

A companhia afirma que o AIforce utiliza as permissões e regras de negócio já existentes no Salesforce e que os dados usados para responder às solicitações não são retidos pelo provedor do modelo. A proposta também dispensa, segundo a Salesforce, a criação de um novo modelo de permissões ou uma migração de dados.

O lançamento faz parte da estratégia da Salesforce de transformar o CRM em uma plataforma na qual agentes de IA não apenas consultam informações, mas também raciocinam sobre os dados e executam tarefas. O AIforce passa a complementar a arquitetura formada por Data 360, Customer 360 e Agentforce.

A Salesforce informa ainda que o Agentforce Coworker já foi ativado por 100 mil usuários nos primeiros 35 dias e que um cliente citado pela empresa, o Fulton Bank, colocou mais de 20 casos de uso em produção em poucas semanas, atendendo aproximadamente 3 mil usuários.

Para o varejo B2B, a mudança aponta para uma transformação menos relacionada a uma nova tela de CRM e mais à forma como vendedores, gestores e agentes de IA acessam e utilizam os dados que já estão dentro da operação.

*O jornalista viajou para o Dreamforce a convite da Salesforce.

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