IA gera R$ 10,9 milhões para e-commerces em seis meses

IA no e-commerce brasileiro

A inteligência artificial já faz parte da rotina da maioria dos e-commerces brasileiros que utilizam a plataforma da edrone. Levantamento realizado pela empresa com 993 lojas virtuais ativas mostra que 89,4% delas, o equivalente a 888 operações, utilizam pelo menos uma funcionalidade de IA no dia a dia.

O estudo analisou a aplicação da tecnologia em três áreas da operação digital: criação de campanhas de marketing, personalização da oferta apresentada no site e atendimento ao consumidor. Segundo os dados, a adoção já apresenta resultados financeiros e operacionais, em vez de permanecer restrita a testes ou projetos experimentais.

Entre as ferramentas avaliadas está o Gerador de E-mail com IA. Os 434 e-commerces que utilizam o recurso registram, em média, uma receita 9,9% superior à das lojas que não adotam a funcionalidade.

Outro destaque aparece nas Recomendações Inteligentes. O recurso adapta os produtos exibidos para cada visitante com base em informações de navegação e histórico de compras. No primeiro semestre de 2026, a ferramenta gerou R$ 10,9 milhões em receita, com ticket médio de R$ 564,49 por pedido concluído.

“Os dados mostram que a IA no e-commerce brasileiro já ultrapassou a fase dos testes. Ela está operando, gerando receita e sendo incorporada à rotina das lojas de todos os tamanhos e segmentos. O que antes levava horas — montar uma newsletter, criar um banner, responder um cliente à meia-noite — hoje é feito em segundos ou de forma completamente automática”, afirma Anna Neiva, Head of Marketing da edrone no Brasil.

Adoção varia conforme o segmento

Apesar da ampla presença da inteligência artificial nas lojas analisadas, o estudo indica que utilizar mais ferramentas não significa necessariamente obter os melhores índices de conversão. A distribuição das funcionalidades varia de acordo com as características de cada segmento e com o tipo de interação que o consumidor precisa ter antes de comprar.

Moda e acessórios, por exemplo, aparece como o setor com maior participação no uso de IA em praticamente todos os canais analisados. O segmento responde por 30,6% das newsletters produzidas com a tecnologia, 34,3% dos banners e 36,3% das recomendações inteligentes.

Quando o indicador passa a ser conversão, entretanto, setores menores aparecem em posições de destaque. Nos banners utilizados para captação de inscrições, as lojas de artigos de escritório convertem 65% dos cliques em assinantes, enquanto o índice registrado pelas operações de moda é de 33%.

Os dados também mostram diferenças no atendimento automatizado. No chat, alimentos e bebidas concentra a maior participação das conversas gerenciadas pelo Agente de Vendas com IA, com 17% dos atendimentos. O levantamento também destaca a presença da moda, com 21,3% nesse recorte.

Para Anna Neiva, as diferenças estão relacionadas ao perfil de cada negócio e à maneira como os consumidores tomam decisões de compra.

“O que determina a adoção de IA não é o tamanho da loja, mas o modelo de negócio. Segmentos com alta frequência de comunicação, como moda, adotam mais as ferramentas de conteúdo. Segmentos consultivos, onde o cliente precisa de orientação antes de comprar, como alimentos, saúde e joias, concentram o uso no chat. A IA entra primeiro onde faz mais diferença”, explica Neiva.

Atendimento automatizado

Entre os recursos avaliados, o Agente de Vendas com IA apresenta o comportamento mais consistente entre os diferentes segmentos. A ferramenta resolve de forma autônoma entre 97% e 99% das conversas, segundo o levantamento, independentemente do setor da loja.

A participação humana fica concentrada em situações que exigem maior intervenção, como reclamações, solicitações fora do padrão ou casos considerados mais complexos. O modelo permite que a automação absorva grande parte das interações enquanto direciona situações específicas para atendimento humano.

O estudo da edrone mostra, assim, que a inteligência artificial vem sendo incorporada a diferentes pontos da jornada de compra no comércio eletrônico brasileiro. A tecnologia aparece tanto em tarefas relacionadas à produção de conteúdo e comunicação quanto em recomendações personalizadas e atendimento, com resultados distintos de acordo com o segmento e a aplicação escolhida.

No recorte analisado, a combinação entre adoção, receita gerada e automação de processos indica que a IA já ocupa uma posição operacional dentro das lojas virtuais, com diferentes níveis de utilização conforme as necessidades de cada modelo de negócio.

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