Fraudes no e-commerce miram compras 35% mais caras

fraude digital

O perfil das fraudes contra o e-commerce brasileiro passou por uma mudança relevante no último ano. Em vez de concentrar esforços em ataques em massa de baixo valor, criminosos estão direcionando uma parcela maior das tentativas para compras mais caras. Dados do relatório State of Fraud 2026, da Signifyd, mostram que o valor médio dos ataques de fraude no Brasil aumentou 35% entre maio de 2025 e abril de 2026.

O avanço está entre os maiores registrados na América Latina no período analisado, ao lado do México. A mudança indica uma estratégia em que a quantidade de tentativas deixa de ser o único indicador de risco, enquanto o valor potencial de cada transação passa a ganhar maior relevância para os fraudadores.

“Vemos no mercado brasileiro uma mudança clara: a fraude ficou mais estratégica e cirúrgica, o que exige dos e-commerces mais tecnologia para evitar atritos com os verdadeiros consumidores. Nossos dados mostram que em vez de focar unicamente em disparar ataques em massa para roubar produtos baratos, os criminosos miram cada vez mais em carrinhos de alto valor”, diz Gabriel Vecchia, Country Manager da Signifyd no Brasil. “Nesses casos, eles reduzem a quantidade de golpes, mas multiplicam o prejuízo por transação”.

O levantamento da Signifyd considerou dados de diferentes mercados entre maio de 2025 e abril de 2026 e identificou também alterações no comportamento dos criminosos em períodos de maior movimentação do comércio digital.

Dia das Mães e Dia dos Namorados elevam pressão

As datas comemorativas aparecem entre os momentos de maior atividade dos fraudadores no Brasil. O período do Dia das Mães e do Dia dos Namorados foi marcado por um aumento significativo tanto na pressão de fraude quanto nas tentativas de invasão de contas.

Em maio, o valor da pressão de fraude cresceu 44%. Em junho, a alta chegou a 62%. O movimento ocorreu simultaneamente a uma aceleração das tentativas de Account Takeover (ATO), modalidade em que criminosos assumem o controle de contas de consumidores.

As tentativas de ATO aumentaram 85% em maio e 133% em junho, sendo este último o maior crescimento sazonal desse tipo de fraude identificado entre os mercados analisados pelo relatório.

Nesse modelo de ataque, credenciais obtidas de forma ilícita são utilizadas para acessar contas de consumidores legítimos. A partir delas, os criminosos podem realizar compras, utilizar cartões já cadastrados ou desviar pontos de programas de fidelidade.

A utilização de contas existentes cria uma dificuldade adicional para sistemas tradicionais de prevenção a fraudes. Como esses perfis possuem histórico real de compras e comportamento anterior, uma transação realizada a partir deles pode apresentar menos sinais de alerta do que uma tentativa feita por uma conta recém-criada.

Black Friday e Natal mudam valor das tentativas

O comportamento identificado nas datas comemorativas volta a aparecer no fim do ano, período que concentra eventos importantes para o varejo, como Black Friday e Natal.

Nesse caso, porém, o movimento ocorre de forma ainda mais acentuada no valor das tentativas. Embora o volume de ataques de fraude tenha diminuído durante o período, o tíquete médio das tentativas no Brasil aumentou 53% em novembro e 139% em dezembro.

A alta registrada em dezembro foi a maior variação isolada entre os países incluídos no estudo da Signifyd. No mesmo mês, o GMV (Gross Merchandise Value, ou Valor Bruto de Mercadoria) sob pressão de fraude cresceu 39%.

Os dados mostram uma combinação de menor volume de tentativas com maior impacto financeiro potencial. Para o varejo digital, o cenário coloca atenção não apenas sobre a quantidade de transações suspeitas, mas também sobre o valor associado a cada ocorrência.

Eletrônicos lideram entre as categorias mais visadas

Entre as categorias analisadas, eletrônicos aparecem como o principal alvo das fraudes no comércio eletrônico brasileiro. O segmento registrou aumento de 13% no GMV fraudulento e de 78% no tíquete médio de fraude.

Eletrônicos também estão entre os focos dos ataques automatizados realizados por bots. Nesse caso, o crescimento foi de 43%, indicando uma atuação relevante de mecanismos automatizados nas tentativas contra o segmento.

As invasões de contas apresentam uma distribuição diferente entre as categorias. Beleza e cosméticos registraram aumento de 195% na pressão de ATO, enquanto moda e vestuário tiveram alta de 152%.

A diferença entre os tipos de ataque mostra que os criminosos não utilizam uma única estratégia para atingir o varejo digital. O comportamento varia de acordo com a categoria, o tipo de conta e o potencial financeiro das transações.

No cenário brasileiro, o avanço do tíquete das fraudes, a alta das invasões de conta em períodos sazonais e a atuação de bots em categorias como eletrônicos compõem um ambiente em que diferentes modalidades de ataque passam a operar simultaneamente.

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