Sua casa está mal projetada? 7 sinais que aparecem na rotina

Uma casa pode funcionar por anos sem que seus moradores questionem pequenos desconfortos do dia a dia. É comum aprender a desviar de um móvel, usar uma extensão porque a tomada está longe, improvisar um lugar para guardar objetos ou simplesmente deixar de usar determinado ambiente. Para a arquiteta e designer de interiores Rose Chaves, esses hábitos podem indicar que o morador se adaptou ao espaço, quando deveria ser o contrário.

“Quando um problema se repete todos os dias, a tendência é incorporá-lo à rotina e parar de perceber que existe outra possibilidade. A arquitetura deve facilitar as atividades e acompanhar as necessidades de quem vive naquele espaço”, afirma Rose.

O planejamento de uma residência envolve circulação, ergonomia, iluminação, armazenamento, instalações elétricas e a relação entre os diferentes ambientes. Segundo a arquiteta, observar a maneira como a casa é usada pode revelar problemas que passam despercebidos no projeto ou que surgiram depois de mudanças na rotina dos moradores.

1. Você criou rotas alternativas dentro da própria casa

Se é preciso desviar de um móvel, passar de lado ou contornar algum objeto diariamente, a circulação merece atenção. A disposição dos móveis precisa considerar os caminhos utilizados pelos moradores e manter áreas de passagem confortáveis, sem criar obstáculos entre os ambientes. “Quando a pessoa precisa fazer um determinado percurso todos os dias e já incorporou aquele desvio como parte da rotina, pode nem perceber que o problema está na organização do espaço”, explica Rose.

2. O improviso virou parte permanente da decoração

Uma caixa que virou criado-mudo, uma cadeira que passou a servir como apoio para roupas ou um móvel colocado em determinado canto apenas porque era onde havia espaço podem parecer soluções simples. Quando esses improvisos permanecem por muito tempo, porém, podem indicar que o ambiente não está respondendo adequadamente às necessidades de quem o utiliza. O projeto deve prever as funções que realmente fazem parte da rotina. Quando isso não acontece, o morador tende a criar soluções provisórias que, com o tempo, se tornam permanentes.

3. Você vive usando extensões e réguas de tomada

Poucas tomadas ou pontos elétricos mal posicionados estão entre os problemas que mais aparecem na rotina doméstica. Uma tomada atrás de um móvel, distante da cama ou insuficiente para a quantidade de equipamentos utilizados no ambiente pode obrigar o morador a recorrer constantemente a extensões, adaptadores e réguas. O planejamento elétrico precisa acompanhar o uso previsto para cada espaço. No quarto, é importante considerar pontos próximos às mesas de cabeceira. Em um home office, computadores, monitores, carregadores e outros equipamentos exigem uma distribuição adequada. Na cozinha, a quantidade e a localização das tomadas precisam acompanhar os eletrodomésticos e a bancada de trabalho. “Tomada parece um detalhe pequeno quando estamos olhando a planta, mas é uma das coisas que mais interferem na rotina depois que a casa começa a ser usada”, diz Rose.

4. Você guarda as coisas onde dá, não onde deveria

Quando os objetos não têm um lugar adequado, eles acabam ocupando superfícies, cantos e espaços improvisados. A falta de armazenamento não significa necessariamente que a casa precise de mais armários. Muitas vezes, o problema está na distribuição ou na falta de planejamento de acordo com os objetos e hábitos dos moradores. Um bom projeto considera o que precisa ser guardado, a frequência de uso e a facilidade de acesso. Dessa forma, o armazenamento deixa de ser apenas uma questão de quantidade e passa a contribuir para o funcionamento do ambiente.

5. Existe um móvel que você evita usar

A cadeira desconfortável, a mesa que atrapalha a passagem, o sofá que ninguém escolhe ou aquele móvel que permanece sempre vazio podem indicar que algo não está funcionando como deveria. A escolha de móveis precisa considerar dimensões, proporções, ergonomia e relação com o restante do ambiente. Um objeto pode ser bonito e, ainda assim, não fazer sentido para a rotina daquela casa. “Não basta que um móvel caiba fisicamente no ambiente. É preciso entender como ele será usado, quem vai utilizá-lo e como ele se relaciona com os outros elementos do espaço”, afirma a arquiteta.

6. A iluminação funciona mais ou menos para tudo

Um único ponto de luz central pode iluminar um ambiente, mas nem sempre atende às diferentes atividades realizadas nele. Ler, cozinhar, trabalhar, assistir televisão ou receber amigos são situações que pedem necessidades distintas de iluminação. A combinação entre luz geral, iluminação de tarefa e pontos indiretos permite adaptar o ambiente aos diferentes momentos do dia. Além da posição das luminárias, temperatura de cor, intensidade e controle da iluminação também interferem na experiência do espaço.

7. Existem ambientes que você quase não usa

Um cômodo que permanece vazio durante a maior parte do tempo pode ser um sinal de que a configuração da casa não acompanha mais a rotina dos moradores. Mudanças na família, no trabalho e nos hábitos podem fazer com que determinados ambientes percam a função original. O escritório que deixou de ser usado depois da mudança para o trabalho presencial, a sala de jantar utilizada poucas vezes ou um quarto que passou a servir apenas como depósito são exemplos de situações que podem indicar a necessidade de repensar o espaço.

Observar esses sinais é uma forma simples de entender se a casa continua adequada à vida de seus moradores. “Uma casa não precisa permanecer igual durante toda a vida, pois as pessoas mudam, os hábitos mudam e as necessidades também. O projeto precisa ter essa capacidade de acompanhar essas transformações”, afirma Rose. A observação da rotina permite compreender o que realmente funciona e o que precisa ser revisto. Muitas vezes, o desconforto não está em uma grande falha, mas em uma sucessão de pequenos obstáculos que foram incorporados ao cotidiano. “Um bom projeto não deve exigir que o morador se adapte o tempo todo ao espaço. O espaço também precisa acompanhar a vida de quem mora ali”, conclui Rose Chaves.

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