Sellers menores ganham espaço nos marketplaces

competitividade nos marketplaces

Grandes investimentos em mídia e estruturas robustas já não são os únicos fatores capazes de determinar o desempenho de um seller no comércio eletrônico. Com os marketplaces concentrando uma parcela relevante das transações online, vendedores de menor porte passaram a encontrar espaço para competir com grandes operações, especialmente quando conseguem combinar agilidade, tecnologia e eficiência logística.

A mudança acontece em um mercado que segue em expansão. Segundo projeções da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), o e-commerce brasileiro deve ultrapassar R$ 258 bilhões em faturamento em 2026, impulsionado pela digitalização do consumo, pelo avanço do mobile commerce e pela automação das operações.

Nesse cenário, a diferença entre pequenos e grandes sellers passa menos pelo tamanho da estrutura e mais pela capacidade de executar bem os processos envolvidos na venda. Para Claudio Dias, CEO da Magis5, hub de automação e integração de sellers com marketplaces como Mercado Livre, Amazon, Magalu e Shopee, três elementos têm papel central nessa disputa: operação, logística e tecnologia.

Tudo começa na excelência na execução operacional, combinada a uma vantagem de difícil competição: a logística. Sustentando tudo isso, está o acesso cada vez mais amplo a tecnologias de ponta“, afirma Dias.

Tecnologia reduz distância entre operações

Ferramentas de automação e inteligência logística, segundo o executivo, ficaram mais acessíveis e simples de implementar. Com isso, lojistas menores conseguem incorporar recursos que antes estavam mais associados a operações de grande escala.

A tecnologia também permite que esses vendedores tenham maior controle sobre etapas como pedidos, estoque e distribuição. Em vez de depender apenas de volume para ganhar eficiência, o seller pode utilizar dados e automação para identificar gargalos e ajustar sua operação.

A proximidade com o consumidor é outro elemento apontado como vantagem para negócios menores. Empreendedores locais podem identificar mudanças na demanda e reagir de maneira mais rápida, ajustando suas estratégias de acordo com as características de cada região.

Os sistemas de geolocalização ajudam nesse processo ao indicar onde está concentrada a demanda e quais áreas apresentam maior volume de compras. Essas informações podem ser utilizadas para reorganizar estoques e avaliar parceiros logísticos mais adequados para cada localidade.

A possibilidade de fazer esses ajustes rapidamente ganha importância em marketplaces nos quais o desempenho operacional influencia a experiência de compra. Prazos de entrega, previsibilidade e cumprimento do que foi prometido podem interferir diretamente na relação do consumidor com o seller.

Integração vira peça central da operação

Para que a velocidade seja convertida em eficiência, porém, diferentes sistemas precisam trabalhar de maneira integrada. ERP, marketplaces e operadores logísticos fazem parte de uma cadeia que começa no momento em que o pedido é registrado e termina na entrega ao consumidor.

É preciso que tudo esteja sincronizado. Quando existe integração entre ERP, marketplaces e operadores logísticos, tudo funciona como um fluxo único, com menos erro, menos atraso e mais previsibilidade. O pedido entra, é processado e entregue dentro do que foi prometido, de forma automatizada e quase em tempo real. Quando há demora, o custo vem em forma de cancelamento, retrabalho e perda de cliente“, diz Dias.

A integração reduz a necessidade de intervenções manuais e ajuda a diminuir falhas durante o processamento dos pedidos. Para sellers menores, esse controle pode representar uma forma de ampliar a capacidade operacional sem necessariamente reproduzir a estrutura de uma grande empresa.

O uso combinado de dados geográficos, análise de demanda e inteligência de distribuição também permite alterar a configuração da operação conforme o comportamento do mercado. Estoques podem ser reorganizados, rotas ajustadas e parceiros de entrega selecionados de acordo com as necessidades identificadas.

Proximidade vira vantagem competitiva

A possibilidade de reagir rapidamente é especialmente relevante para operações menores, que podem ter estruturas mais enxutas. Enquanto grandes empresas trabalham com processos mais amplos e complexos, sellers de menor porte podem concentrar esforços em nichos específicos e utilizar o conhecimento sobre seu público para tomar decisões mais rápidas.

Os grandes competem por volume. Os menores conseguem competir por proximidade, especialização e domínio da própria operação“, diz o CEO da Magis5.

A estratégia, portanto, não passa necessariamente por reproduzir o modelo dos grandes players. Para operações menores, conhecer o próprio consumidor, organizar processos e utilizar tecnologia para reduzir a complexidade pode ser uma alternativa para disputar performance dentro dos marketplaces.

Nesse ambiente, a logística deixa de ser apenas uma etapa posterior à venda e passa a fazer parte da estratégia comercial. A capacidade de posicionar produtos, escolher parceiros e cumprir prazos pode influenciar a experiência do consumidor e a própria eficiência do seller.

Para Dias, tentar operar como uma empresa de grande porte sem contar com a mesma estrutura pode aumentar a complexidade e comprometer o desempenho. A alternativa está em explorar as características que uma operação menor consegue controlar com maior proximidade.

No e-commerce, tamanho ajuda. Mas execução decide“, conclui o especialista.

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