A forma como consumidores encontram produtos na internet está se espalhando para além da tradicional página de resultados do Google. Um levantamento da Nuvemshop em parceria com a Conversion mostra que 68% das pesquisas no buscador já terminam sem um clique em links externos. Para o comércio eletrônico, a mudança coloca a organização dos catálogos e a qualidade das informações dos produtos no centro de uma nova disputa por visibilidade.
O avanço de recursos que entregam respostas diretamente na página de busca, incluindo resumos produzidos por inteligência artificial, reduz parte do caminho que antes levava o consumidor do buscador até a loja virtual. Ao mesmo tempo, ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity passam a participar da etapa de descoberta, oferecendo respostas, comparações e recomendações antes do acesso ao site de um varejista.
O estudo realizado pelas duas empresas acompanha esse movimento e apresenta um mapeamento técnico e um guia prático sobre GEO (Generative Engine Optimization). O conceito reúne práticas destinadas a aumentar as chances de marcas e produtos serem encontrados e considerados por mecanismos que utilizam inteligência artificial para gerar respostas.
A busca por produtos também vem ganhando espaço em plataformas que tradicionalmente não eram tratadas como buscadores de comércio eletrônico. Dados da Adobe Express compilados no levantamento indicam que 64% da Geração Z e 49% dos millennials utilizam o TikTok para pesquisar produtos antes de uma compra.
A jornada inclui ainda recursos de busca visual, como o Google Lens, e interfaces conversacionais. Nesses ambientes, o consumidor pode fazer perguntas sobre características de produtos, comparar alternativas ou pedir recomendações sem necessariamente começar por uma busca convencional.
“O ambiente de busca está deixando de ser apenas uma lista de links e se tornando uma camada de recomendação baseada em contexto”, afirma Ewerton Silva, Organic Visibility Manager da Nuvemshop. “Para uma loja ser encontrada e recomendada nesse novo contexto, não basta apenas investir em mídia paga ou fazer o básico de SEO. É preciso preparar a base tecnológica para que as IAs rastreiem e compreendam o catálogo com agilidade”
Nesse cenário, as páginas de produto passam a desempenhar um papel importante na interpretação feita por mecanismos de busca e sistemas de IA. Preço, estoque, variações, especificações, prazo de entrega e avaliações precisam estar disponíveis de forma clara e atualizada. Segundo o estudo, inconsistências nesses dados podem prejudicar a presença de uma loja em respostas automatizadas ou levar à exibição de informações incorretas para o consumidor.
Além do conteúdo das páginas, o levantamento chama atenção para aspectos técnicos dos sites. A velocidade de carregamento e o uso de dados estruturados estão entre os elementos considerados relevantes para facilitar a interpretação das informações.
Os dados estruturados são marcações inseridas no código das páginas para identificar informações como preço, disponibilidade e avaliações dos produtos. A Nuvemshop afirma que sua infraestrutura registra média de 1,8 segundo nos indicadores de carregamento avaliados pelo Google por meio dos Core Web Vitals.
“Quando uma página demora para carregar, a capacidade de mecanismos automatizados encontrarem, interpretarem e atualizarem informações daquele catálogo é afetada”, diz Ewerton.
Para a Conversion, essa transformação na descoberta de produtos também pode criar oportunidades para lojas menores e especializadas. A agência afirma que e-commerces acompanhados por ela, que adicionaram recursos como perguntas frequentes estruturadas e tabelas comparativas às páginas de produto, tiveram aumento médio de 47% nas impressões no Google e de 61% nas citações em assistentes de inteligência artificial.
“Estamos vendo uma evolução histórica na disputa pelo consumidor. A pergunta do lojista deixa de ser apenas ‘em que posição meu site aparece?’ e passa a ser ‘a inteligência artificial considera minha marca uma fonte confiável para recomendar? Como me compara aos meus concorrentes? Quando ela me recomenda e quando não?’”, afirma Diego Ivo, CEO da Conversion. “Um e-commerce especializado, com dados técnicos consistentes e conteúdo focado nas necessidades do cliente, pode ganhar espaço nas recomendações feitas por ferramentas de IA. O segredo é construir reputação semântica, ou seja, que é entendida por humanos e LLMs.”
Outro dado apresentado pela Conversion reforça a mudança no perfil desse tráfego. Nos e-commerces analisados pela agência, os acessos de referência originados em assistentes de inteligência artificial apresentaram taxa de conversão entre 35% e 60% superior à registrada pela busca orgânica tradicional. Segundo a empresa, o resultado está relacionado a uma jornada na qual o consumidor chega ao site após receber recomendações e respostas mais contextualizadas.
O material produzido por Nuvemshop e Conversion também considera uma próxima etapa dessa transformação: o chamado Agentic Commerce. Nesse modelo, assistentes de inteligência artificial podem assumir etapas da jornada de compra, como pesquisar produtos, comparar opções e executar ações em nome do consumidor.
O guia inclui um checklist com ações previstas para os próximos 12 meses, abrangendo organização de catálogos, conteúdo das páginas de produto, implementação de dados estruturados e desempenho técnico.
A mudança amplia o papel do catálogo no comércio eletrônico. Além de apresentar produtos ao consumidor que chega diretamente à loja, as informações estruturadas passam a servir de base para sistemas que precisam interpretar, comparar e recomendar ofertas em diferentes ambientes digitais.



