Enquanto os investimentos em infraestrutura de Inteligência Artificial avançam em escala global, transformar esse aporte em resultado concreto continua sendo um desafio para grande parte das empresas. A expectativa é de que o mercado mundial destine cerca de US$ 1,43 trilhão à infraestrutura de IA em 2026. Apesar do volume, apenas 5% das empresas afirmam perceber um retorno financeiro claro sobre os investimentos realizados na tecnologia.
O cenário foi analisado pela Insi, consultoria especializada em evolução digital, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), no “Estudo sobre Inteligência Artificial Aplicada à Estratégia”. O levantamento ouviu mais de 100 CEOs e executivos C-Level de multinacionais e grandes empresas brasileiras, abrangendo 20 setores da economia.
Os resultados mostram uma diferença entre a relevância atribuída à inteligência artificial e a capacidade das organizações de transformar a tecnologia em resultado. Mais de 80% das companhias entrevistadas já consideram a IA um pilar indispensável para os negócios. No entanto, somente 8% conseguem extrair valor estratégico real da tecnologia e convertê-la em uma vantagem competitiva sustentável.
Segundo a pesquisa, a distância entre esse grupo de empresas, classificado como AI Leaders, e as demais organizações não está relacionada ao acesso a tecnologias mais avançadas. O principal fator está na capacidade de integrar a inteligência artificial à estratégia empresarial, às pessoas e aos processos.
“O mercado já superou a fase da curiosidade. Agora, a expectativa é por geração de valor real. A próxima fronteira da IA não será definida por modelos mais inteligentes, mas por organizações que possuem clareza sobre a intencionalidade do que querem construir”, destaca Telmo Costa, fundador e CEO da Insi. “As empresas que de fato geram valor sabiam exatamente o que estavam construindo e o porquê antes mesmo de escolherem qualquer tecnologia.”
Os cinco padrões das empresas líderes
A análise identificou cinco características organizacionais presentes nas empresas que conseguem avançar de maneira mais estruturada na utilização da IA. O primeiro padrão é colocar a estratégia antes da tecnologia. Nesse modelo, a inteligência artificial funciona como habilitadora dos objetivos do negócio, enquanto a empresa utiliza a tecnologia para repensar processos e modelos de negócios de maneira mais ampla.
O segundo está relacionado às pessoas. Pelo menos 45% dos AI Leaders tratam a inteligência artificial como uma prioridade crítica para a capacitação das equipes. O investimento em profissionais busca acelerar a adoção da tecnologia e reduzir erros durante sua utilização.
A presença de um patrocinador executivo forte é o terceiro padrão identificado. Nessa parcela de empresas, o próprio CEO assume a fluência em IA e conduz a tecnologia como uma transformação de negócios. O envolvimento da alta liderança também se reflete no engajamento da C-suite, que é cinco vezes maior entre os AI Leaders do que na média do mercado.
O quarto elemento é a governança acompanhada de métricas. Mais de 60% das empresas líderes monitoram de forma rigorosa o valor econômico gerado pelas implementações de inteligência artificial. A mensuração permite acompanhar os resultados das iniciativas e identificar o que gera valor para a organização.
O quinto padrão envolve a maneira como as companhias estruturam seus projetos ao longo do tempo. Em vez de concentrar os esforços apenas em iniciativas de retorno rápido, os AI Leaders trabalham simultaneamente em diferentes horizontes. O H1 contempla resultados de curto prazo, enquanto o H2 envolve a transformação estrutural de processos e o H3 está relacionado à criação de novos modelos voltados ao crescimento futuro.



