As ferramentas de inteligência artificial generativa aplicadas ao design tem enorme potencial de democratização e eficiência, e por isso é um salto para o marketing de varejistas e empresas de todos os setores, especialmente as pequenas. Mas ela não é uma panaceia que vai dispensar para sempre o trabalho de profissionais qualificados.
Como toda ferramenta, é preciso saber usá-la sob o risco de gerar peças de arte genéricas e inefetivas.
“A IA não cria relevância, ela amplia a intenção. Sem clareza de quem usa, ela só gera ruído”, ponderou Luan Alves, Creator e Embaixador do Canva, no palco da Eletrolar Show All Connected 2026. O especialista deu uma palestra nessa quarta-feira (24), terceiro dia do evento em São Paulo – que vai até quinta (25).
O Canva é um dos softwares de design gráfico mais usados no mundo atualmente, com 260 milhões de usuários ativos mensais, operando em mais de 190 países. No Brasil, a empresa tem presença oficial há cerca de seis anos. O País é o segundo maior mercado global do Canva, atrás apenas dos Estados Unidos.
Um dos maiores esforços atuais é promover recursos de inteligência artificial que vem sendo aos poucos incorporados ao programa. É possível, por exemplo, gerar imagens e textos, fazer o recorte de objetos em imagens e até gerar legendas para vídeos, entre outras funções baseadas em IA. A proposta é ter “todo um ecossistema de design em uma plataforma centralizada”.
Segundo Alves, o uso de tecnologia no design depende de prompts detalhados e de qualidade para que se chegue a um resultado “que não parece arte de IA”.
“A IA não é inteligente. Sem um prompt bem detalhado e uma pergunta bem específica, ela não entrega um resultado muito bom. É mediano e pouco profissional”, ponderou o especialista. “Ainda mais difícil dizer que ela é criativa. Ela pega tudo com base em materiais que já existem e reconstrói de forma diferente.”
Ainda assim, Alves é um entusiasta da tecnologia. Garante que ela é uma facilitadora de ideias, aumentando a velocidade e a escala das crianças, e que ela democratiza o design e suas ferramentas. E que vai surgir “uma nova geração de criadores”.
Para ele, a IA vai “melhorar a criatividade humana, não substituir”, mas isso exige que o usuário tenha habilidades de iteração (ou seja, tentar diversas variações de prompts para obter melhores resultados) e curadoria (a seleção dos resultados mais alinhados ao objetivo do usuário).



