Julho marca início da preparação logística das PMEs para as principais datas do e-commerce

logística das PMEs

Julho costuma representar um ponto de virada para pequenos e médios negócios que atuam no comércio eletrônico. É nesse período que muitas empresas iniciam a revisão da operação logística, do estoque e da capacidade de atendimento para enfrentar o calendário mais intenso do varejo, que reúne datas como Dia dos Pais, Semana do Brasil, Black Friday e Natal.

A antecipação desse planejamento ganha importância em um cenário de crescimento do e-commerce e de consumidores cada vez mais exigentes em relação aos prazos de entrega e à experiência de compra. Segundo levantamento divulgado pelo E-Commerce Brasil, as pequenas e médias empresas venderam R$ 3 bilhões no primeiro semestre de 2025, resultado 28% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Com o aumento da concorrência no segundo semestre, empresas do setor avaliam que o desafio deixou de estar apenas na atração de clientes. A capacidade de manter a operação funcionando sem gargalos durante períodos de pico passou a ter impacto direto sobre os resultados das campanhas promocionais.

É essa a avaliação da SuperFrete, plataforma de gestão logística para e-commerce. De acordo com a empresa, muitos empreendedores concentram seus esforços em ações comerciais e na formação de estoque, enquanto deixam a logística para os momentos que antecedem as grandes campanhas do varejo, reduzindo o tempo disponível para ajustes operacionais.

Entre os problemas mais recorrentes estão a falta de revisão dos processos internos, o uso de informações desatualizadas sobre desempenho operacional e a subestimação do volume de pedidos esperado para datas de maior movimento. A empresa também aponta que decisões tomadas às vésperas das campanhas — como mudanças em embalagens, testes de integrações, reorganização da expedição ou contratação de parceiros logísticos — aumentam o risco de atrasos, ruptura de estoque e dificuldades no atendimento.

O cenário se torna ainda mais relevante diante do peso das datas promocionais para o comércio eletrônico. Dados divulgados pelo E-Commerce Brasil, com base em levantamentos da Neotrust, mostram que a Black Friday de 2024 movimentou R$ 9,3 bilhões no e-commerce brasileiro. Para 2025, a expectativa era de que o evento alcançasse R$ 11 bilhões em vendas.

Segundo Daiane Dias, CRO da SuperFrete, julho deve ser encarado como um período de avaliação da capacidade operacional do negócio antes do aumento da demanda.

“O empreendedor que quer performar bem no segundo semestre precisa olhar para a operação antes da demanda explodir. É o momento de revisar fluxo de pedidos, estoque, embalagens, capacidade de expedição e, principalmente, decidir quais datas realmente fazem sentido para o negócio. Nem toda campanha precisa entrar no plano. Muitas vezes, o melhor resultado vem quando a empresa escolhe bem onde vai concentrar energia”, afirma.

A executiva destaca que muitas empresas identificam limitações operacionais apenas quando o volume de vendas já começou a crescer, reduzindo a margem para correções.

“Se a empresa já tem dificuldade para cumprir prazo em períodos normais, não consegue prever quantos pedidos suporta por dia ou depende demais de processo manual, o segundo semestre tende a expor isso com mais força. O problema é que muita gente só percebe quando já está vendendo e não quando ainda dava tempo de ajustar”, diz.

Nesse contexto, a automação de processos logísticos passa a desempenhar um papel mais relevante para pequenos e médios negócios. A utilização de plataformas capazes de centralizar envios, comparar opções de frete, acompanhar pedidos e integrar diferentes transportadoras pode reduzir atividades manuais e oferecer maior previsibilidade para a operação.

Segundo a SuperFrete, esse tipo de solução permite que o empreendedor concentre esforços em áreas como atendimento, vendas e planejamento, enquanto a gestão logística passa a ser acompanhada de forma mais integrada.

Para Daiane Dias, a eficiência logística também se tornou um fator competitivo no comércio eletrônico, especialmente durante as grandes campanhas promocionais do segundo semestre.

“O que diferencia os pequenos que aproveitam melhor a Black Friday ou o Natal não é só produto ou preço. É a capacidade de entregar bem. A logística deixou de ser bastidor. Hoje, ela interfere diretamente na experiência do cliente e na competitividade da empresa”, afirma.

Na avaliação da empresa, pequenos negócios não precisam competir com grandes varejistas em escala, mas podem fortalecer sua posição por meio da eficiência operacional, da previsibilidade nas entregas e de uma experiência de compra mais consistente. Nesse cenário, julho passa a representar uma etapa estratégica de preparação para um período que concentra parte significativa das vendas do comércio eletrônico brasileiro.

Compartilhe: