Pesquisadores brasileiros anunciaram o desenvolvimento de uma nova bateria de íon-sódio, tecnologia que surge como alternativa às baterias de íon-lítio atualmente dominantes no mercado. A proposta chama atenção por priorizar maior segurança operacional e menor impacto ambiental, dois pontos que têm ganhado peso nas discussões sobre o futuro do armazenamento de energia.
O projeto é resultado de pesquisas conduzidas em instituições acadêmicas no Brasil e se baseia no uso do sódio como principal elemento químico. Diferentemente do lítio, o sódio é mais abundante na natureza e pode ser obtido com menor custo e menor dependência de cadeias globais concentradas em poucos países, o que reduz riscos geopolíticos e logísticos.
Um dos principais diferenciais da bateria de íon-sódio está na segurança. De acordo com os pesquisadores envolvidos, esse tipo de célula apresenta menor risco de superaquecimento e incêndio, problema que ainda preocupa fabricantes e consumidores de dispositivos eletrônicos e veículos elétricos. Essa característica amplia o potencial de aplicação em sistemas estacionários de armazenamento e em ambientes urbanos.

Outro aspecto destacado é a sustentabilidade do processo produtivo. A extração do sódio tende a causar menos impactos ambientais quando comparada à mineração de lítio, frequentemente associada a alto consumo de água e degradação ambiental. Além disso, a nova bateria brasileira utiliza materiais que podem ser reciclados com maior facilidade ao final de sua vida útil.
Embora o desempenho energético das baterias de íon-sódio ainda seja inferior ao das baterias de íon-lítio mais avançadas, os pesquisadores afirmam que os resultados obtidos até agora são promissores. A tecnologia já demonstra capacidade para atender aplicações que não exigem alta densidade energética, como armazenamento de energia renovável e sistemas de backup.
O desenvolvimento também é visto como estratégico para o Brasil, que busca ampliar sua participação em cadeias tecnológicas ligadas à transição energética. Ao investir em pesquisa local, o país reduz a dependência de soluções importadas e cria oportunidades para a formação de um ecossistema industrial voltado a novas tecnologias de baterias.
Apesar do avanço, a bateria de íon-sódio brasileira ainda se encontra em fase de testes e validação. Os próximos passos incluem o aumento de escala, a avaliação de durabilidade em longo prazo e a análise de viabilidade comercial, etapas consideradas essenciais antes de uma eventual chegada ao mercado.



