Cestos, bandejas, caixas, divisórias e outros acessórios domésticos ganharam uma nova função nas redes sociais: além de organizar ambientes, passaram a inspirar decisões de compra. Vídeos curtos no TikTok e referências compartilhadas no Pinterest mostram cozinhas, despensas, gavetas e bancadas transformadas, aproximando produtos funcionais do universo de decoração e comportamento.
O movimento acompanha a influência das plataformas digitais na descoberta de produtos. De acordo com uma pesquisa da Opinion Box, 69% dos consumidores já compraram algum item a partir de recomendações vistas em canais digitais. Entre as plataformas utilizadas para descobrir produtos, o Instagram aparece com 41%, seguido pelo TikTok, com 18%, e pelo Pinterest, com 3%.
No segmento de casa e decoração, a influência das redes sociais ganha uma característica própria: os conteúdos não apenas exibem o produto, mas mostram como ele pode ser incorporado à rotina. Uma bandeja passa a fazer parte da composição de uma bancada, os cestos são utilizados para padronizar uma despensa e as divisórias aparecem como solução para organizar gavetas.
Para Rogério Zorzetto, CEO da Prioridade 10, essa dinâmica também modifica a relação entre tendências digitais e varejo físico. “As redes sociais encurtaram o caminho entre a inspiração e a intenção de compra. Um produto que aparece em um conteúdo de organização ou decoração chega à loja já associado a uma referência visual, o que muda a forma como o consumidor observa a variedade disponível e busca novas possibilidades para a casa”, afirma.
O TikTok reforça a relação entre descoberta de produtos e consumo. Um levantamento de 2026 da Opinion Box aponta que 31% dos usuários brasileiros da plataforma já compraram algum produto pelo TikTok Shop. Além disso, 40% utilizam a rede para acompanhar marcas e empresas.
Os conteúdos produzidos por influenciadores também aparecem como parte desse processo. Segundo o estudo, 52% dos usuários afirmam que anúncios feitos por influenciadores despertam interesse. Nesse ambiente, demonstrações, vídeos curtos, Stories e conteúdos de transformação apresentam os produtos dentro de situações de uso, aproximando a descoberta da experiência cotidiana.
Para categorias ligadas à organização doméstica, esse formato permite mostrar não apenas características funcionais, mas também o resultado proporcionado pelo produto no ambiente. A transformação visual se torna parte da própria apresentação da mercadoria.
No Pinterest, a lógica está mais relacionada ao planejamento. A plataforma reúne referências de ambientes, soluções de organização e combinações visuais que podem ser salvas e consultadas posteriormente. O consumidor pode encontrar uma composição, guardar a referência e posteriormente buscar produtos semelhantes no varejo.
“Quando o consumidor chega ao varejo depois de ter visto referências nas redes, ele traz repertório e expectativas mais definidos. Para uma operação com mix amplo, isso cria espaço para que categorias diferentes se complementem: um item de organização pode levar à procura por acessórios, decoração ou outros produtos que ajudem a completar aquele ambiente”, explica Zorzetto.
Essa dinâmica também se relaciona ao modelo de operação da Prioridade 10, que trabalha com diferentes categorias de produtos. Em 2025, o vestuário respondeu por 36,87% do faturamento da rede, enquanto as utilidades domésticas representaram 28,74%. Brinquedos, decoração e acessórios também tiveram participação no resultado.
A presença de diferentes categorias permite que uma tendência identificada nas redes sociais se desdobre em mais de uma frente dentro do ponto de venda. Um conteúdo sobre organização, por exemplo, pode despertar interesse por itens destinados a diferentes espaços da casa, além de produtos de decoração e acessórios relacionados.
A variedade também contribui para a rotatividade do mix e para a criação de novos motivos de visita às lojas. Quando determinado tipo de produto ganha visibilidade no ambiente digital, o consumidor pode procurar no varejo físico alternativas para reproduzir aquela referência, comparando preços, tamanhos, formatos e possibilidades de uso.
Nesse processo, as redes sociais funcionam como uma fonte de inspiração e descoberta, enquanto o varejo oferece o ambiente para transformar essa referência em compra. A circulação de tendências entre os dois canais também exige acompanhamento mais próximo do comportamento do consumidor.
“A velocidade com que tendências circulam exige um varejo atento ao comportamento, não apenas ao histórico de vendas. Observar o que ganha relevância no ambiente digital ajuda a entender quais necessidades estão surgindo e como diferentes categorias podem responder a elas no ponto de venda”, conclui Rogerio.



