Golpes mudam comportamento de compra no Brasil

fraudes financeiras

O avanço das fraudes financeiras está alterando a relação dos brasileiros com o consumo. Mais exposto a golpes e tentativas de fraude, o consumidor passou a adotar uma postura mais cautelosa antes de concluir uma transação, reduzindo o espaço para decisões tomadas por impulso e aumentando a necessidade de verificar se uma oferta, empresa ou canal é confiável.

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra o tamanho desse cenário. Os dados, divulgados pelo Varejo SA, indicam que, nos últimos 12 meses, 49,9% dos consumidores afirmaram ter sofrido fraudes ou tentativas de fraude.

A experiência ajuda a explicar uma mudança no processo de compra. Antes de finalizar uma transação, o consumidor passa a procurar mais informações, comparar alternativas e verificar se há sinais de risco. A cautela ganha espaço principalmente diante de contatos desconhecidos, promessas consideradas muito vantajosas e ofertas encontradas em canais pouco conhecidos.

Desconfiança reduz espaço para compras por impulso

O receio de cair em um golpe interfere diretamente na velocidade da decisão. No ambiente digital, em que a compra pode ser concluída em poucos passos, o consumidor tende a desacelerar quando identifica algum elemento que não considera seguro.

Os dados da pesquisa mostram que 49% dos entrevistados desconfiam de contatos desconhecidos. Outros 45% afirmam evitar promessas de “dinheiro fácil”, enquanto 42% dizem evitar preços muito abaixo do mercado ou sites pouco conhecidos.

Os percentuais ajudam a mostrar como a percepção de risco interfere na resposta às ofertas. Uma condição comercial agressiva pode chamar a atenção, mas não necessariamente será suficiente para levar o consumidor à conversão se houver dúvidas sobre a legitimidade da operação.

Nesse ambiente, a oferta precisa passar por um filtro adicional. O consumidor avalia não apenas preço e condições comerciais, mas também os sinais que indiquem se aquela compra pode ser realizada com segurança.

Jornada de compra ganha novas etapas

A mudança no comportamento também prolonga a jornada de compra. O consumidor passa a dedicar mais tempo a etapas que ajudam a reduzir a percepção de risco antes de tomar uma decisão.

Pesquisar informações sobre a empresa, comparar preços, consultar avaliações de outros clientes, verificar a reputação da marca e confirmar a legitimidade dos canais são comportamentos que ganham importância nesse processo.

A compra, portanto, se torna menos emocional e mais racional. Em vez de reagir imediatamente a uma oportunidade, o consumidor pode interromper a jornada para conferir se a empresa e a oferta são confiáveis.

Para o varejo, essa mudança interfere diretamente nas estratégias de venda. Uma comunicação capaz de chamar atenção continua sendo importante, mas precisa ser acompanhada por informações que ajudem o consumidor a avançar pelas diferentes etapas da jornada.

A confiança deixa de ser apenas um atributo associado à marca e passa a participar diretamente da decisão de compra.

Segurança entra na disputa pela conversão

O aumento da preocupação com fraudes também eleva a exigência em relação aos canais utilizados pelas empresas. Canais oficiais bem identificados, políticas claras de atendimento, segurança nos pagamentos e transparência nas informações passam a fazer parte dos critérios considerados pelo consumidor.

A identificação da empresa ganha peso nesse processo. Quando o comprador não consegue confirmar se está diante de um canal legítimo, a desconfiança pode interromper a transação, mesmo diante de uma oferta considerada atrativa.

O mesmo vale para preços muito abaixo do mercado e sites pouco conhecidos. Os 42% que evitam essas situações indicam que o consumidor já utiliza esses elementos como sinais para avaliar o risco de uma compra.

Para as empresas, isso coloca a construção de confiança dentro da própria jornada comercial. A reputação não é considerada apenas depois de uma compra ou quando ocorre algum problema: ela influencia a disposição do consumidor em seguir adiante.

Fraudes afetam o comportamento do consumidor

A exposição aos golpes cria um consumidor mais atento aos sinais de risco. Os 49,9% que relataram ter sofrido fraude ou tentativa de fraude nos últimos 12 meses ajudam a dimensionar o alcance desse fenômeno e seu potencial de influência sobre as decisões de consumo.

Ao mesmo tempo, os demais resultados mostram como essa cautela se manifesta no cotidiano: quase metade desconfia de contatos desconhecidos, 45% evita promessas de “dinheiro fácil” e 42% rejeita preços muito abaixo do mercado ou sites pouco conhecidos.

Nesse cenário, a conversão passa a depender de uma jornada na qual o consumidor consiga confirmar a legitimidade da operação antes de concluir a compra. Para o varejo, a confiança ganha espaço ao lado de preço, oferta e condições comerciais como elemento necessário para avançar na decisão.

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