O avanço dos veículos eletrificados no Brasil começa a mudar também a infraestrutura de condomínios, edifícios corporativos, centros comerciais e estacionamentos. Com mais carros elétricos e híbridos plug-in em circulação, a disponibilidade de pontos de recarga passa a fazer parte das decisões de empreendimentos que precisam acompanhar as novas demandas de moradores, funcionários, visitantes e clientes.
Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 220 mil carros elétricos vendidos, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A entidade também registrou uma frota de aproximadamente 600 mil veículos eletrificados em circulação na região.
Esse cenário amplia a necessidade de locais de recarga em espaços nos quais os veículos permanecem estacionados por períodos mais longos. Para condomínios residenciais, a instalação de carregadores pode acompanhar a mudança no perfil dos moradores e contribuir para a valorização dos imóveis. Em edifícios corporativos, a infraestrutura pode atender colaboradores, visitantes e frotas. Já em centros comerciais e estacionamentos, o tempo necessário para recarregar o veículo pode ser incorporado à experiência do consumidor.
“Para as empresas, é um caminho para oferecer mais conveniência a colaboradores, visitantes e frotas corporativas, além de reforçar o compromisso com a agenda ESG, o que aumenta a percepção de valor do mercado sobre o negócio”, afirma Rogério Robles, gerente comercial da Lity, marca de eletrônicos e acessórios compatíveis com dispositivos de última geração.
Segundo o executivo, os condomínios também precisam considerar a evolução dessa demanda ao planejar novos investimentos em infraestrutura. “Esse movimento ajuda a preparar o empreendimento para uma demanda que tende a crescer nos próximos anos”, explica o executivo.
Nos estabelecimentos comerciais, a lógica é diferente. A recarga pode ser associada ao período de permanência do consumidor no local, criando uma possibilidade de atrair clientes e melhorar a experiência durante a utilização do serviço.
Capacidade elétrica é ponto de partida
Antes de instalar um carregador, condomínios e complexos comerciais precisam avaliar a infraestrutura elétrica já disponível. A capacidade da rede existente é um dos principais fatores para determinar quantos equipamentos podem ser instalados e quais potências poderão ser utilizadas.
A recomendação é verificar se o empreendimento consegue suportar a demanda adicional sem comprometer a segurança e o funcionamento da instalação elétrica. Dependendo da estrutura existente, pode ser necessário realizar adequações ou planejar uma expansão gradual.
Essa análise também ajuda a evitar a instalação de equipamentos que não poderão operar de acordo com a capacidade esperada. O planejamento da infraestrutura precisa considerar não apenas a quantidade de veículos eletrificados existente hoje, mas também a possibilidade de aumento da demanda.
Perfil de utilização influencia projeto
Outro aspecto importante é entender como os usuários utilizarão os carregadores. A rotina de moradores, funcionários, visitantes ou clientes interfere diretamente na definição da quantidade de equipamentos e na potência mais adequada.
Em um condomínio residencial, por exemplo, os veículos podem permanecer estacionados durante várias horas, enquanto em um estabelecimento comercial o período disponível para recarga pode ser menor.
Conhecer esses padrões de utilização ajuda a dimensionar a estrutura e estabelecer uma estratégia de gerenciamento dos equipamentos.
O número de carregadores também não precisa necessariamente ser definido apenas com base na demanda atual. A possibilidade de ampliação deve entrar no planejamento desde o início.
Infraestrutura precisa permitir expansão
Mesmo quando a quantidade de veículos eletrificados ainda é pequena, preparar o empreendimento para futuras ampliações pode evitar novos investimentos estruturais em pouco tempo.
A escalabilidade permite que o número de pontos de recarga aumente conforme a demanda. Dessa maneira, a infraestrutura inicial pode ser dimensionada considerando uma expansão progressiva, em vez de concentrar toda a capacidade necessária em uma única etapa.
A expansão também precisa ser compatível com a capacidade elétrica disponível e com a forma como os equipamentos serão utilizados. Por isso, o planejamento inicial tem impacto direto sobre os custos e sobre a operação futura.
“Instalar um ponto de recarga vai muito além da compra de equipamentos. É importante pensar na capacidade elétrica do empreendimento, no perfil de utilização e na possibilidade de expansão futura. Um bom planejamento evita custos desnecessários e garante que a infraestrutura acompanhe o crescimento da demanda”, destaca Robles.
Segurança entra no planejamento
A escolha dos equipamentos e a instalação também fazem parte da estrutura necessária para a recarga de veículos eletrificados. Equipamentos certificados e instalados por profissionais qualificados contribuem para reduzir riscos e aumentar a confiabilidade do sistema.
Além da aquisição do carregador, o empreendimento precisa considerar as condições da instalação elétrica e os procedimentos necessários para colocar os equipamentos em funcionamento.
A segurança também está relacionada à durabilidade da infraestrutura. Uma instalação adequada permite que os equipamentos sejam utilizados de maneira mais confiável ao longo do tempo.
Gestão ajuda a controlar os carregadores
Outro ponto a ser considerado é a administração dos pontos de recarga. Soluções de gestão podem permitir o monitoramento do uso dos equipamentos e o controle de acesso, além de possibilitar a cobrança pelo consumo de energia quando essa modalidade fizer sentido para o empreendimento.
Esse tipo de gerenciamento pode ser especialmente relevante em condomínios, onde diferentes moradores podem utilizar os mesmos equipamentos, ou em espaços comerciais, nos quais a recarga pode fazer parte da estrutura oferecida aos clientes.
A gestão também permite acompanhar a utilização dos pontos e obter informações que podem ajudar em futuras decisões de expansão da infraestrutura.



